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É hora de trabalhar para que o Brasil não perca mais quatro anos

14 JAN 2019

De 1983 até o fim de 2018, ele comandou a empresa que hoje é líder no concorrido mercado nacional de tecnologia, com faturamento anual de R$ 2,4 bilhões e operações em mais de 40 países. No mês passado, Cosentino anunciou sua saída da presidência-executiva da empresa para se dedicar ao comando do conselho de administração, passando o bastão para o executivo Dennis Herszkowicz, recrutado na concorrente Linx. A decisão, diz Cosentino executada em sincronia com a troca de governo no Brasil, ocorreu em um momento histórico para ele e para a nação. “A Totvs entra em uma nova fase, o Brasil inicia um novo ciclo e o ambiente geral passou de preocupação para otimismo”, completa, nesta entrevista à DINHEIRO.

DINHEIRO – Por que a decisão de deixar a presidência a Totvs foi tomada agora?

LÁERCIO COSENTINO – Estas alterações na administração da companhia foram planejadas durante quase um ano e fazem parte de um plano de sucessão importante para o futuro da empresa. Tudo foi pensado e executado com o apoio dos seus comitês de assessoramento e de uma consultoria externa. Já estava no plano da companhia que em determinado momento a gente faria a sucessão, com objetivo de perpetuar a Totvs para as próximas gerações, sob comando de novos executivos. Então, está acontecendo de forma natural.

DINHEIRO – A mudança de comando representa uma mudança de rumo?

COSENTINO – A forma de administrar vai mudar, obviamente, porque cada um tem estilo próprio de gestão. Mas a cultura da empresa e o espírito empreendedor serão preservados. Quero, aliás, que os novos executivos façam diferente de mim. Eu fui eleito o presidente do conselho, o que significa que eu não estou mais no dia-a-dia da companhia. Agora fico muito mais no lado da estratégia. E terei mais tempo para poder me dedicar isso, junto com os próprios executivos e comitês. A ideia é aprimorar o nosso trato com clientes e também nas relações institucionais.

DINHEIRO – E qual será a estratégia da companhia?

COSENTINO – Temos de criar muitas estratégias, sempre nos adaptando às transformações do mercado. O setor de tecnologia está passando por um processo de grande evolução. Hoje a indústria da tecnologia da informação é mais jovem, com grande especialização em varejo, na indústria, em agricultura. É totalmente diferente do que era algumas décadas atrás. Além disso, o setor de TI está passando por um processo de inversão de custo. Cada vez mais, a ideia de licenciar um software está mudando para um conceito de utilizar o software. Então, para nós, em vez de ter uma receita com venda do licenciamento, tivemos de aprender a ter faturamento recorrente sobre serviços. Outro ponto importante também é que TI está em todos as atividades da economia. Nesse ambiente, o desafio do setor é a equipe não entender apenas de TI, mas também o que cada um dos segmentos representa, bem como das suas necessidades específicas.

DINHEIRO – Qual setor da economia que mais tem demandado novas soluções em TI?

COSENTINO – A Totvs vem trabalhando nesses últimos anos em soluções para dez segmentos, entre eles financeiro, manufatura, logística, varejo, saúde, computação e serviços. Em todos há uma demanda crescente por mais conhecimento em tecnologia. Todos querem ter acesso à tecnologia disponível hoje e saber qual vai ser a próxima. Na prática, o que as empresas realmente querem, independentemente das áreas de atuação, é ser mais eficientes, mais competitivas, mais produtivas e continuar crescendo.

DINHEIRO – A Totvs vai entrar em algum novo segmento a partir de 2019?

COSENTINO – Estamos sempre de olho nos movimentos da economia. Nosso foco, no entanto, é cada vez mais fortalecer aquilo que a gente tem nas mãos. Hoje não existe apenas um varejo. Abaixo dele, há quatro, cinco ou seis segmentos que também estão crescendo muito. O mesmo vale para a indústria química, a indústria farmacêutica e a indústria de base. O que a gente tem é serviço bastante para se divertir por muitos anos.

DINHEIRO – Alguma dessas áreas apresenta maior potencial de crescimento?

COSENTINO – O varejo e a manufatura representam 50% de toda a base de clientes da Totvs. Os demais dividem os 50% restantes. Quando a gente olha o setor serviços, o potencial é imenso. Não podemos nos esquecer do agronegócio, a grande vocação econômica brasileira. Os negócios do campo ainda não têm uma participação majoritária no setor de TI, mas sem dúvida é a que mais cresce em número de clientes, em oportunidades de novos negócios.

DINHEIRO – Qual a sua avaliação sobre o ambiente econômico, com a mudança de governo?

COSENTINO – Sinto um otimismo generalizado, mas os desafios são grandes. O grande dilema do governo Bolsonaro será realizar as reformas sem perder a popularidade. Todos sabemos que é preciso promover a redução do tamanho do Estado, mas isso implica em mudanças na sociedade. Muitos ainda pensam que seus direitos são eternos, mas suas obrigações, não. Todo mundo tem direto a tudo. Só que não será mais assim.

DINHEIRO – Você se refere a direitos trabalhistas?

COSENTINO – Não só trabalhistas. As relações mudaram. Quem poderia imaginar, algumas décadas atrás, que hoje seria possível fazer reuniões por teleconferência, como se tivéssemos um na frente do outro? Então a gente vê que o mundo mudou, que há novos processos de trabalho e uma nova forma de viver, de se relacionar. Tudo mudou, mas a mentalidade do Estado não acompanhou. O Estado continua exatamente como sempre foi. Para contratar mão-de-obra é uma grande burocracia.

DINHEIRO – Essa confiança já se reflete em novos negócios?

COSENTINO – Sim, tenho visto alguns investimentos sendo destravados. O mercado e as empresas estão com um humor melhor para investir. Não vejo uma euforia, mas percebo que o Brasil começa a caminhar para frente. Um investe aqui, outro compra um bem. Assim a roda da economia volta a girar.

DINHEIRO – Existe algum grande risco nesse começo do governo, como uma nova greve de caminhoneiros ou algo assim?

COSENTINO – Sinto um otimismo generalizado, mas os desafios são grandes. O grande dilema do governo Bolsonaro será realizar as reformas sem perder a popularidade. Todos sabemos que é preciso promover a redução do tamanho do Estado, mas isso implica em mudanças na sociedade. Muitos ainda pensam que seus direitos são eternos, mas suas obrigações, não. Todo mundo tem direto a tudo. Só que não será mais assim.

DINHEIRO – Você se refere a direitos trabalhistas?

COSENTINO – Não só trabalhistas. As relações mudaram. Quem poderia imaginar, algumas décadas atrás, que hoje seria possível fazer reuniões por teleconferência, como se tivéssemos um na frente do outro? Então a gente vê que o mundo mudou, que há novos processos de trabalho e uma nova forma de viver, de se relacionar. Tudo mudou, mas a mentalidade do Estado não acompanhou. O Estado continua exatamente como sempre foi. Para contratar mão-de-obra é uma grande burocracia.

DINHEIRO – Essa confiança já se reflete em novos negócios?

COSENTINO – Sim, tenho visto alguns investimentos sendo destravados. O mercado e as empresas estão com um humor melhor para investir. Não vejo uma euforia, mas percebo que o Brasil começa a caminhar para frente. Um investe aqui, outro compra um bem. Assim a roda da economia volta a girar.

DINHEIRO – Existe algum grande risco nesse começo do governo, como uma nova greve de caminhoneiros ou algo assim?

COSENTINO – Sinto um otimismo generalizado, mas os desafios são grandes. O grande dilema do governo Bolsonaro será realizar as reformas sem perder a popularidade. Todos sabemos que é preciso promover a redução do tamanho do Estado, mas isso implica em mudanças na sociedade. Muitos ainda pensam que seus direitos são eternos, mas suas obrigações, não. Todo mundo tem direto a tudo. Só que não será mais assim.

DINHEIRO – Você se refere a direitos trabalhistas?

COSENTINO – Não só trabalhistas. As relações mudaram. Quem poderia imaginar, algumas décadas atrás, que hoje seria possível fazer reuniões por teleconferência, como se tivéssemos um na frente do outro? Então a gente vê que o mundo mudou, que há novos processos de trabalho e uma nova forma de viver, de se relacionar. Tudo mudou, mas a mentalidade do Estado não acompanhou. O Estado continua exatamente como sempre foi. Para contratar mão-de-obra é uma grande burocracia.

DINHEIRO – Essa confiança já se reflete em novos negócios?

COSENTINO – Sim, tenho visto alguns investimentos sendo destravados. O mercado e as empresas estão com um humor melhor para investir. Não vejo uma euforia, mas percebo que o Brasil começa a caminhar para frente. Um investe aqui, outro compra um bem. Assim a roda da economia volta a girar.

DINHEIRO – Existe algum grande risco nesse começo do governo, como uma nova greve de caminhoneiros ou algo assim?

COSENTINO – Com as redes sociais, o Brasil exteriorizou a greve dos caminhoneiros, assim como acontece com os protestos na França. Daqui a pouco vai ter um outro, e assim por diante. É normal. No Brasil, vivemos um equilíbrio instável a todo instante. Mas acho que a gente tem que dar uma trégua. A gente abre o noticiário e todo mundo está batendo, batendo, batendo. Calma. Seja esquerda ou direita, temos de deixar o presidente começar a trabalhar. Temos sempre de pensar como podemos contribuir, como cidadãos, para uma nova sociedade e qual legado vamos deixar.

DINHEIRO – E esse governo vai conseguir mudar isso?

COSENTINO – O sucesso do governo vai depender da aprovação da reforma da Previdência, da reforma tributária e da redução do tamanho do Estado. Quanto mais competitivo for o País, mais a gente vai crescer. Mais relevante, na minha opinião, é o governo criar mecanismos para que se tenha enfoque em educação, saúde e segurança, os três grandes pilares nos quais é preciso investir. Temos de apoiar o novo governo, sem adotar postura de oposição. É hora de trabalhar muito para que o Brasil não perca mais quatro anos.

DINHEIRO – A sociedade entende essa agenda? Está engajada?

COSENTINO – Acredito que sim. O nosso grande problema é que, durante muito tempo, queríamos mudanças sem mudar muita coisa. Historicamente, o brasileiro pede um Estado mais moderno, mas não moderniza a forma de pensar. Vejo que isso começa a mudar.

DINHEIRO – Os escândalos de corrupção ajudaram nessa mudança?

COSENTINO – Sim. As empresas criaram a cultura de punir o que está errado e desenvolver mecanismos contra desvios de conduta. Não adianta nada punir um, dois ou três, sem rever processos para que erros não ocorram mais.

DINHEIRO – Quando se fala em criar mecanismos para contre desvio de conduta, vale para o governo e para as empresas privadas?

COSENTINO – Claro. As empresas privadas, cada vez mais, estão fazendo a parte delas. Todas as normas e regras das empresas de capital aberto estão tendo uma evolução muito grande. Não existe corrupção sem corruptor e corrompido.

DINHEIRO – O que foi implementado na Totvs nesse sentido?

COSENTINO – A Totvs ē uma empresa que tem uma forte governança corporativa desde antes de ser uma empresa de capital aberto. Em 1999, a Totvs já praticava todas as regras de governança corporativa. A gente entendeu, há muitos anos, que com mecanismos sólidos de compliance é muito mais difícil ocorrer casos de corrupção. Então, desenvolvemos isso desde o início.

DINHEIRO – Muitas empresas de TI ainda reclamam da falta da mão de obra e da baixa qualificação dos profissionais disponíveis. Essa reclamação é justa?

COSENTINO – Na questão da mão de obra, concordo. Pelos números da associação do nosso setor, a Brascon, hoje há em torno de 500 mil vagas que não dão ‘match’ com os candidatos interessados. Acredito que o problema seja a falta de formação da área de exatas, de cursos ligados a raciocínios lógicos e matemática. No Brasil, há muito mais gente na área de ciências humanas do que exatas. Aí, quando se olha para os grandes talentos, a maioria já está dentro das companhias ou se aventurando em criar suas próprias startups e fintechs. Além disso, existem incentivos em várias partes do mundo na criação dessas empresas, o que leva muita gente boa a empreender lá fora. Se o Brasil não despertar para isso e tentar buscar soluções para amenizar a fuga de talentos, teremos problemas. Isso não acontece da noite para o dia, mas passa pelo investimento em educação.

DINHEIRO – Com mais tempo livre, o que pretender fazer? Tem algum projeto pessoal em vista?

COSENTINO – Tenho alguns investimentos no setor de construção civil e em setores de startups na área de saúde. Acredito muito que a área de desenvolvimento humano será o de maior expansão no País nos próximos anos. Estamos vivemos muito mais tempo e dando maior atenção à saúde. Estou dedicando um bom tempo meu a novos negócios nessa área. Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.

COSENTINO – Acredito que sim. O nosso grande problema é que, durante muito tempo, queríamos mudanças sem mudar muita coisa. Historicamente, o brasileiro pede um Estado mais moderno, mas não moderniza a forma de pensar. Vejo que isso começa a mudar.

DINHEIRO – Os escândalos de corrupção ajudaram nessa mudança?

COSENTINO – Sim. As empresas criaram a cultura de punir o que está errado e desenvolver mecanismos contra desvios de conduta. Não adianta nada punir um, dois ou três, sem rever processos para que erros não ocorram mais.

DINHEIRO – Quando se fala em criar mecanismos para contre desvio de conduta, vale para o governo e para as empresas privadas?

COSENTINO – Claro. As empresas privadas, cada vez mais, estão fazendo a parte delas. Todas as normas e regras das empresas de capital aberto estão tendo uma evolução muito grande. Não existe corrupção sem corruptor e corrompido.

DINHEIRO – O que foi implementado na Totvs nesse sentido?

COSENTINO – A Totvs ē uma empresa que tem uma forte governança corporativa desde antes de ser uma empresa de capital aberto. Em 1999, a Totvs já praticava todas as regras de governança corporativa. A gente entendeu, há muitos anos, que com mecanismos sólidos de compliance é muito mais difícil ocorrer casos de corrupção. Então, desenvolvemos isso desde o início.

DINHEIRO – Muitas empresas de TI ainda reclamam da falta da mão de obra e da baixa qualificação dos profissionais disponíveis. Essa reclamação é justa?

COSENTINO – Na questão da mão de obra, concordo. Pelos números da associação do nosso setor, a Brascon, hoje há em torno de 500 mil vagas que não dão ‘match’ com os candidatos interessados. Acredito que o problema seja a falta de formação da área de exatas, de cursos ligados a raciocínios lógicos e matemática. No Brasil, há muito mais gente na área de ciências humanas do que exatas. Aí, quando se olha para os grandes talentos, a maioria já está dentro das companhias ou se aventurando em criar suas próprias startups e fintechs. Além disso, existem incentivos em várias partes do mundo na criação dessas empresas, o que leva muita gente boa a empreender lá fora. Se o Brasil não despertar para isso e tentar buscar soluções para amenizar a fuga de talentos, teremos problemas. Isso não acontece da noite para o dia, mas passa pelo investimento em educação.

DINHEIRO – Com mais tempo livre, o que pretender fazer?

Tem algum projeto pessoal em vista?

COSENTINO – Tenho alguns investimentos no setor de construção civil e em setores de startups na área de saúde. Acredito muito que a área de desenvolvimento humano será o de maior expansão no País nos próximos anos. Estamos vivemos muito mais tempo e dando maior atenção à saúde. Estou dedicando um bom tempo meu a novos negócios nessa área.

Fonte: Isto É Dinheiro

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