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Crise na Venezuela: o que levou o país vizinho ao colapso econômico e à maior crise de sua história

25 OUT 2018


Falcón acusou o governo de influenciar a votação através do Carnê da Pátria, documento que permite que os venezuelanos recolham benefícios do governo e usem os serviços públicos. Maduro prometeu que quem votasse no dia do pleito teria direito a um benefício extra concedido pelo governo.

A oposição acusou o governo de compra de votos e a maior parte dos oposicionistas boicotou o pleito. O governo afirmou que as eleições foram "livres e justas". Com muitos candidatos-não governistas impossibilitados de concorrer ou presos, a oposição disse que o pleito não tem legitimidade e que há indícios para desconfiar de fraude eleitoral.

Toda essa instabilidade política contribuiu para agravar a crise venezuelana. Após a reeleição de Maduro, a OEA (Organização dos Estados Americanos) pediu a suspensão da Venezuela da entidade. O Brasil, além de EUA, Canadá, Argentina, Peru e México, entre outros, foi um dos países que pediu a suspensão da Venezuela da organização continental, alegando desrespeito à Carta Democrática Interamericana e ilegitimidade da reeleição de Maduro.

Os dois únicos países suspensos da OEA até hoje foram Cuba, em 62, quando Fidel Castro se aliou à então União Soviética, e Honduras, em 2009, após o golpe de Estado que desitituiu o presidente Manuel Zelaya.

A Venezuela já havia se adiantado a esse processo e pedido seu desligamento da OEA em 2017, alegando que a organização estaria dominada pelas "forças imperiais" americanas. Esse fato, no entanto, não impede que o processo de suspensão continue e que o país sinta seus efeitos diplomáticos. A suspensão significaria que todas as nações americanas confirmaram que a Venezuela não segue mais a ordem democrática.

Se a suspensão for confirmada, o país terá ainda mais dificuldade para obter apoio internacional, principalmente na Europa e na Ásia.

A Carta Democrática Interamericana foi criada em 2001 e regula o funcionamento das democracias dos 35 países-membros da OEA. O documento prevê a possibilidade de suspensão em caso de descumprimento dos princípios que a regem.

Em junho, quando houve a assembleia da OEA, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira, afirmou que o governo de Maduro tem características de um regime que não é democrático, como perseguição da oposição, falta de liberdade de imprensa e ausência de liberdade de organização política.
5- Poder militar e controle da imprensa
Um outro ponto que contribuiu para a crise venezuelana foi a forte presença do Exército na gestão do Estado.

Em 25 anos, a Venezuela sofreu três tentativas de golpe de Estado pelos militares. Uma delas foi deflagrada por um grupo do qual o então coronel Chávez era líder, em 1992.

Preso após a tentativa de golpe militar, ele foi solto anos depois e conseguiu se eleger em 1998.

Chávez trouxe as Forças Armadas para seu governo. Ele nomeou vários generais para cargos em estatais, substituindo funcionários técnicos especializados.

Uma das empresas que teve parte de seu corpo técnico substituído por militares foi a petroleira PDVSA, o que, segundo especialistas, explica em parte o fato dela não ter investido em melhorias, não ter se desenvolvido.

O chavismo também colocou militares para atuarem como ministros. Um terço do gabinete de Maduro é composto por militares e ex-militares.

Pela Constituição venezuelana, as Forças Armadas deveriam ser apolíticas. Mas o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino, escreve em seus despachos "Chávez vive, a pátria continua. Independência e pátria socialista".

Durante a crise de abastecimento iniciada em 2016, Maduro também passou o controle da produção, importação e distribuição de alimentos para o Exército. Há graves acusações de corrupção envolvendo o controle dos militares desse setor chave na crise.

Outro fator que contribuiu para a crise venezuelana é o estrito controle da imprensa. Veículos considerados de oposição foram comprados por chavistas, enquanto outros foram fechados (caso da emissora RCTV, que teve sua concessão não renovada).

Em outros casos, o chavismo sufocou o suprimento de papel-jornal para veículos de linha editorial opositora - o governo venezuelano controla, por meio de uma corporação estatal, a importação e a distribuição do insumo.

 

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