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O crescimento perdido.

15 OUT 2018

Com o triste menu que deverá ser servido nesta eleição, há sérias dúvidas se vamos recuperá-lo.

A sociedade brasileira vive uma experiência dramática:

1. Os mais desvalidos sofrem com a ineficiência do governo no suprimento dos bens mais básicos – saúde, educação, saneamento e segurança. Os remediados pagam duas vezes pelos mesmos serviços. Tudo isso, a despeito de...

2. Enfrentar uma carga tributária bruta muito alta e muito mal distribuída. A situação foi se tornando mais crítica à medida que o desenvolvimento econômico murchou e atingiu o paroxismo, quando chegamos, no governo Dilma, ao desemprego de 13% da população economicamente ativa, que se reduz muito lentamente.

A situação fiscal agravou-se desde 2012 com o rápido crescimento das despesas reais do governo central, produto do voluntarismo da política econômica e do projeto de “ganhar a eleição a qualquer custo”, que continuou mesmo depois da recessão a partir de meados de 2014.

O gráfico abaixo mostra claramente que a despesa real aumentou até meados de 2016. A partir daí, estabilizou-se, mas a receita só voltou a crescer graças ao pequeno aumento do nível de atividade, a partir de 2017.

O déficit acumulado em 12 meses vem se fechando, também lentamente. Não há, portanto, nenhuma evidência de queda na despesa real do governo central, a não ser a produzida pela própria Dilma em 2015.

Não creio que haja algum cidadão razoavelmente informado no Brasil que não tenha a consciência do lamentável estado em que se encontram as nossas finanças e as consequentes tensões sociais que se vêm acumulando.

Desde a grave crise mundial de 1979-1980, não conseguimos reengrenar nosso crescimento. Em apenas dois momentos – um no governo Sarney (1985-1990) e outro no governo Itamar Franco (1993-1994) – crescemos mais que o mundo: 4,2% ante 4%, em média, no primeiro, e 5% contra 2,7%, no segundo.

Sarney lutou muito pelo seu mandato. Nunca contou com o apoio do “núcleo” do partido que o havia admitido no jogo eleitoral oportunista que, ao final, acabou elegendo Tancredo Neves. Teve um momento de glória com o Plano Cruzado, mas terminou com uma taxa de inflação de 1.621% em 1990.
O pior foi que autorizou um estúpido default que atrasou uma década a negociação da dívida externa. Itamar fez um superávit primário de 5% do PIB e apoiou o ilustre futuro ministro da Fazenda, Pedro Malan, a fechar o acordo da dívida externa.

No mais, as coisas andaram muito mal em matéria de crescimento, apesar de reformas e melhoras institucionais que começaram com o governo Collor (1990-1992). Vimos o crescimento do nosso PIB reduzir-se a menos 1,2%, enquanto o mundo crescia a 2,8%.

Na octaetéride fernandista (1995-2002) assistimos à execução do Plano Real, uma pequena joia em matéria de controle da inflação, iniciado por Itamar Franco. Produziu avanços notáveis e uma tragédia: o instituto da reeleição. Depois de nos levar ao FMI duas vezes, terminou com um crescimento médio do PIB de 2,4%, contra 3,5% do mundo.

O último surto de crescimento, ajudado pela melhora das relações de troca, foi com Lula (2003-2010), mas, mesmo assim, crescemos, em média, 4,1%, praticamente igual ao crescimento mundial (4,2%), ou seja, ficamos parados.

Com Dilma, o caldo entornou de vez: crescemos 0,4%, em média, contra 3,6% do mundo. A partir de 2012, tivemos o pior quinquênio do século em matéria de crescimento. Do segundo trimestre de 2014 ao quarto trimestre de 2016, nosso PIB per capita caiu mais de 9%.

Seu governo deixou um rastro de “esqueletos”: 7,4 mil obras paradas pelo “festival” dos PACs e uma aventura no setor elétrico (MP nº 579) que ainda vai consumir mais de 100 bilhões de reais dos brasileiros.

Para encurtar a melódia, entre 1980 e 2017, o PIB per capita do Brasil em paridade de poder de compra de 2010 cresceu 30,6% (0,7% ao ano), enquanto o PIB per capita mundial cresceu 69,2% (1,4% ao ano). Sem crescimento nunca voltaremos ao equilíbrio. Com o triste menu que, parece, será servido nesta eleição, há sérias dúvidas se vamos recuperá-lo.
Fonte: Carta Capital

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