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Investimentos represados

24 SET 2018

Fundos de private equity acumulam recursos e esperam definição eleitoral para voltar a investir em empresas brasileiras

Nos últimos dias o País vem enfrentando instabilidade na bolsa de valores e, principalmente, no dólar, diante da divulgação dos resultados das pesquisas eleitorais. O mercado brasileiro espera ansioso por um presidente da República cujas propostas tragam estabilidade econômica para o Brasil. A consequência da atual turbulência é a insegurança dos investidores e um grande represamento de recursos. Dados da Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital (Abvcap) mostram que de janeiro a julho de 2018 em relação ao mesmo período do ano anterior o volume dos fundos de private equity disponível e não investido aumentou 17,3%, para R$ 36 bilhões. Já o volume total das transações até agosto, comparado com o mesmo período de 2017, caiu 30%, para R$ 10 bilhões, de acordo com a Transactional Track Record (TTR). “Esse é um ano muito peculiar, é muito natural que todo tipo de investimento receba algum tipo de freio enquanto não se estabelece um cenário menos instável”, diz Wagner Rodrigues, diretor de pesquisas e inteligência de mercado da TTR.
Dados do Banco Central também mostram a resistência para se investir no País. Até julho, os investimentos diretos líquidos caíram 16% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar do desaquecimento, a expectativa é que os fundos voltem a comprar assim que o próximo presidente da República seja definido. “O cenário é de espera”, diz Andrea Minardi, professora de finanças e responsável pelos estudos de private equity do Insper. Ela acredita que a oscilação do dólar pode ser o fator mais nocivo aos investimentos, até mais que os fatores macroeconômicos.

“Quem está com dinheiro, está olhando e comprando”, diz Fernando Vaccari, sócio da FV Consulting, que atuou na venda da CVC Brasil para o Carlyle Group. Para ele, um fator que pesa, no entanto, contra as compras dos fundos de private equity é o seu crescimento nos últimos quatro anos e o consequente interesse por companhias de maior porte. “Existem muitos fundos captados que querem comprar empresas médias para grandes, e não há muita oferta de boas empresas a um preço razoável nesse nicho de mercado”, diz Vaccari. Que venham as eleições.
Fonte:Isto É

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