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Desenvolvimento sustentável.

30 AGO 2018

“Valor Compartilhado” é título de um artigo sobre desenvolvimento territorial publicado em julho deste ano no DCI e assinado por Claudia Calais, diretora executiva da Fundação Bunge. O texto enfatiza que empresas e comunidades devem se associar em busca do desenvolvimento. Na verdade, as ideias expressadas pela autora se aplicam a todos os territórios, inclusive, em última instância, a territórios nacionais.

Quando dirigi o Centro de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento da ONU, uma das ideias que defendi foi a de que o desenvolvimento sustentável requer engajamento dos stakeholders mais diretamente afetados por decisões sobre as prioridades do desenvolvimento. Dentre os stakeholders, experts contribuem com informação e análise, mas não devem ser isoladamente os tomadores de decisão. É o consenso entre os stakeholders que deve estabelecer as prioridades para o território em questão. Tive a oportunidade de testar essas ideias em 11 países, incluindo o Brasil.

No artigo, Claudia enfatiza corretamente que as riquezas geradas devem permanecer no território, mas acrescento que é preciso considerar as oportunidades de comércio interno e internacional. Além disso, acredito que seja necessário distinguir a natureza do valor econômico gerado ao longo da intervenção no território e incorporar ao projeto de investimento iniciativas privadas e públicas em prol da educação, saúde e meio ambiente.

O que Claudia designou de agenda comum de trabalho, eu chamo de “portfólio de iniciativas prioritárias”, decididas pelo consenso entre stakeholders relevantes. Quando criei na ONU os “stakeholders dialogues”, a ideia era romper o “status quo”de que os que têm alguma expertise tomam decisões por todos, permitindo às partes interessadas expressarem seus pontos de vista.

Obviamente que o grau de preparação dos stakeholders não é uniforme e requer facilitadores bem treinados, que realcem a participação dos menos preparados (que chamo, às vezes, de stakeless) e que moderem a influência dos mais poderosos. Mas, o ponto crucial do desenvolvimento sustentável é o estabelecimento de prioridades, pois há sempre muita coisa a ser feita em todos os estágios.

As prioridades devem ser decididas pelos stakeholders relevantes em um processo transparente, equitativo e bem gerenciado, que permita a participação de todos os envolvidos, independentemente do nível de preparação.

O Comitê de Assistência ao Desenvolvimento da OCDE publicou em 1991 um pequeno volume intitulado Managing Technological Change in Less-Advanced DevelopingCountries (que, na minha opinião, se aplica a todos os países) enfatizando a importância de definir prioridades tecnológicas estreitamente integradas a estratégias de desenvolvimento econômico e de recursos humanos no contexto específico dos países em fase de desenvolvimento considerado.

E acrescentou que isso pode ser alcançado encorajando a interação entre os grupos-chave envolvidos – políticos, estrategistas econômicos, cientistas e técnicos, administradores, trabalhadores rurais, pequenos e grandes empresários e banqueiros.

Tenho a convicção de que essas conclusões permanecem válidas até hoje, conforme as palavras de Paulina Karpis na revista Forbes Leadership de junho de 2018: "The future of work isn't about tech – it's about people".
Fonte:Fenacon

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