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Pequenas e médias venceram só 14% das licitações federais abertas no ano.

30 AGO 2018

Mesmo representando 98,5% das empresas do País, PMEs levaram apenas 5,6 mil dos quase 40 mil processos licitatórios abertos em 2018

Dos 39,3 mil processos de licitação federais abertos em 2018, 19,7 mil contaram com participação de pequenas e médias empresas (PMEs), mas apenas 5,6 mil (ou 14,3% do total) foram vencidos por elas.

As informações são de levantamento realizado pela consultoria LicitaBR que compreende licitações em âmbito federal responsáveis pela movimentação de cerca de R$ 19 bilhões até meados de agosto. Entre as licitações cujos vencedores foram PMEs, os valores rondam os R$ 2,4 bilhões.

Diretor comercial da LicitaBR, Thiago Rocha afirma que, na mesma altura do ano passado, as conquistas das PMEs no âmbito federal somavam R$ 2,7 bilhões em contratos. De acordo com executivo, o potencial das pequenas e médias – que concentram cerca de 98,5% dos negócios do País – poderia ser melhor explorado.

“Muitas PMEs pensam que licitações são algo fora da realidade, mas, em muitos casos, elas são capazes de oferecer preços menores por conta da estrutura enxuta”, sinalizou o executivo.

No caso do setor de serviços, a quantidade de oportunidades não exploradas é ainda maior: enquanto 56,8% das 39,9 mil licitações federais buscavam empresas do setor, apenas 42,4% dos processos cujas PMEs participaram envolviam a prestação de serviços. “Há um potencial muito grande que não é aproveitado. Muitas empresas de serviços estão dormindo no ponto”, argumentou Rocha.

Sediada em Guarulhos (SP) e especializada em pequenas reformas como a instalação de pisos, forros e divisórias, a MJA Center contou ao DCI que participa de processos licitatórios desde 2016 – ou quando “a demanda do setor privado começou a cair, deixando parte da nossa mão de obra ociosa”, conforme palavras do sócio-proprietário da empresa, Jefferson Coelho Alves.

“No último ano participamos de uns 250 processos e ganhamos por volta de 30”, conta o empresário. Somados, tais contratos já envolvem aproximadamente R$ 1,5 milhão em prestação de serviços nas três esferas, uma vez que a MJA Center também atende estados e municípios.

Préstimos da empresa já foram realizados na região metropolitana da capital paulista, bem como no Vale do Paraíba, na baixada santista e na região de Campinas (todas no Estado de São Paulo). Para o poder executivo federal, a MJA Center realizou instalações recentes em universidades e institutos ligados à União.

De acordo com Coelho Alves, é comum que “algumas prefeituras demorem mais para efetuar pagamentos”, enquanto “o governo federal e o [do Estado] de São Paulo são mais pontuais”. No caso da esfera municipal, os eventuais atrasos perduram por cinco a sete semanas, em média.

A LicitaBR estima que, juntas, as esferas municipal, estadual e federal movimentaram, ao longo do ano passado, cerca de R$ 800 bilhões através de licitações para a contratação de materiais ou serviços.

Materiais

Além de pequenos reparos, Thiago Rocha afirma que há oportunidades para prestadores de serviços do segmento gráfico, para locadoras de equipamentos de som e iluminação para eventos públicos ou hospitalares.

Um leque ainda maior de opções está presente no ramo do comércio de materiais – onde até mesmo o fornecimento de produtos como alho triturado ou em pasta tem dado resultado para pequenas.

Especializada no produto e participando de licitações desde janeiro, a microempresa Deleon também venceu mais de 30 concorrências. Entre as vendas realizadas está o fornecimento de 3 mil kg de alho adquiridos pelo Exército Brasileiro na Paraíba. Frente a alta na demanda, a equipe da Deleon deve ser ampliada.

Das 19,7 mil licitações que tiveram a participação de PMEs, mais da metade – ou 57,2% – visava o fornecimento de materiais.

Incentivo

Apesar das oportunidades pouco exploradas, Thiago Rocha explica que medidas do governo têm ampliado o número de PMEs que buscam negociar com o poder público. “Algumas licitações de até R$ 80 mil podem ser exclusivas para pequenas e médias, enquanto em outras há uma preferência de 5% em favor delas”, explica o diretor comercial da LicitaBR, que auxilia cerca de 50 empresas do porte em processos licitatórios.
Fonte: Fenacon 

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