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Tudo não terás.

20 AGO 2018

Se o tema geral é o momento, nada mais atual do que a discussão das perspectivas sobre as eleições presidenciais e os potenciais impactos no comportamento do mercado, do consumo e do varejo. O quadro de indefinição está impactando o desempenho setorial de forma marcante.

A somatória de greve dos caminhoneiros, Copa do Mundo e agora eleições tem impacto direto na cautela dos consumidores e no resultado das vendas, com reflexos no emprego, expansão e investimentos. Andamos de lado há meses.Talvez o candidato ideal fosse aquele que somasse a experiência de Alckmin, a visão financeira global de Meirelles, a proposta ideológica de Flávio Rocha (mesmo já afastado da disputa direta), a visão sustentável de Marina Silva, a militância aguerrida do PT, a visão econômica de Paulo Rabello (agora definido como vice), o destemor de Bolsonaro, a empolgação de Ciro, o equilíbrio de Álvaro Dias, a renovação proposta por Amoedo e mais eventual alguma coisa da Manuela D’Ávila, Boulos, Eymael e outros.Mas o dito popular do “Tudo não terás” explica mais uma vez a importância das escolhas, especialmente quando uma análise de nossa realidade recente é desanimadora pelo fosso que tem se ampliado entre o que temos vivido no Brasil e a realidade internacional.

É inegável que um balanço das últimas décadas mostra um país quase à deriva, sem projeto e visão, sendo administrado pela contingência do momento e se distanciando de melhores níveis em educação, saúde e segurança.No varejo e na distribuição, a flexibilidade e capacidade adaptativa permitem a sobrevivência de cada vez menos empresas nacionais, crescendo a participação de empresas globais, com poucas exceções, como eletroeletrônicos, móveis, calçados e farmácias. Poucas empresas nacionais, muito poucas, se reposicionam para buscarem sua internacionalização.As regras e os candidatos, suas chapas, coligações e estratégias de comunicação já estão praticamente definidas.

A menos que haja algum fato novo absolutamente imprevisível, teremos as eleições definidas no segundo turno, o que deverá significar pelo menos mais quatro meses de letargia na economia.Por mais destemido, visionário e voluntarioso que seja o presidente eleito, dentro do jogo democrático, ele terá que ter a experiência e habilidade para governar com um Congresso cujas características são sobejamente conhecidas.O que gera alguma esperança é que parece haver entre os candidatos com maior chance, um certo compromisso com a continuidade de mudanças estruturais, especialmente com as reformas previdenciária, tributária e política, sem o que nada terá efeito prático para transformar a realidade atual. Parece haver também consenso da necessidade de não recuo no combate à corrupção, o pior legado dos últimos governos.

Nas próximas semanas, teremos uma visão mais clara das reais chances dos candidatos e se renovam esperanças de que o que tenhamos pela frente seja melhor que o passado recente e que possamos sair para um novo ciclo de expansão e crescimento, potencializando todos os elementos que já permitiram, num passado não muito distante, que fossemos uma das maiores economias do mundo, condição da qual nos afastamos exclusivamente por conta de nossos próprios erros e opções equivocadas.Ainda que aceitemos plenamente que tudo não teremos, podemos decisivamente atuar para termos mais do que temos.
Fonte: DCI

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