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Dinheiro ainda é forma de pagamento preferida para 60% dos brasileiros.

24 JUL 2018


Formas de pagamento vs. valor das compras


Como era de se esperar, no entanto, o uso de dinheiro, cartão de crédito e cartão de débito varia de acordo com o valor das compras.
A pesquisa apontou uma curva oposta entre as modalidades dinheiro e cartão de crédito. Enquanto nos pagamentos que não ultrapassam R$ 10, 88% dos entrevistados afirmaram que costumam usar dinheiro, apenas 9% dizem usar o cartão de débito e 2% o cartão de crédito.

Já em compras acima dos R$ 500, o crédito é a forma de pagamento mais utilizada, atingindo o patamar de 43%. Nessa faixa, outros 18% afirmaram preferir o cartão de débito e um outra parcela significativa ainda prefere o dinheiro: 31%.

O destaque para o cartão de débito, porém, fica na faixa de compras que vão de R$ 50 a R$ 100. Nesse patamar, o índice alcança 27% (o maior o débito entre todas as faixas analisadas).

Porte e "entesouramento" de cédulas e moedas
Parte desse fenômeno pode ser explicado pela quantia que as pessoas costumam carregar em dinheiro consigo: 68% dos entrevistados responderam que não carregam mais do que R$ 50 em cédulas na carteira e 34% não chegam a passar nem dos R$ 20. Além disso, 17% portam quantias entre R$ 50 e R$ 100 e somente 10% carregam mais do que isso no bolso.

Segundo especialistas, porém, esse fenômeno pode ajudar a minimizar compras de impulso já que o pagamento em dinheiro costuma causar uma "dor" maior no bolso do consumidor do que o simples apertar de número numa máquininha de cartão de débito ou crédito.

Em adição a isso, o Banco Central diagnosticou um outro problema através do cruzamento de dois dados levantados pela pesquisa: o primeiro que diz respeito ao porte de moedas e o segundo, ao tempo que as pessoas ficam com elas.

A pesquisa do BC revelou que 32% das pessoas carregam moedas que somam valores entre R$ 2 e R$ 5. Além dessses, 24% carregam valores menores do que R$ 2 e outros 24% não carrega moeda nenhuma.

Do total, 54% afirmaram carregar moedas para facilitar o troco e/ou fazer pequenas compras, mas 26% disseram que guardam as moedas em casa ou no trabalho, 10% deixa no carro e 4% simplesmente não sabem onde as moedas vão parar, elas "acabam desparecendo" e é isso que está preocupando o Banco Central.

O problema é que cada vez menos moedas estão em circulação, o que tem exigido que os bancos e o governo façam campanhas publicitárias para incentivar as pessoas a "quebrarem seus cofrinhos".

Além disso, já se tornou comum que estabelecimentos comerciais de compras de pequeno porte como padarias façam promoções oferecendo recompensas para pessoas que fizerem suas compras em moeda ou troquem uma grande quantidade de moedas por dinheiro em papel.
Esse fenômeno também foi retratado na pesquisa quando os entrevistados responderam que guardam essas moedas em até um mês (59%), entre um e seis meses (21%), de seis meses a um ano (12%) e por mais de um ano (7%).
Comércio sofre, mas estimula o pagamento em dinheiro
A pesquisa "O brasileiro e sua relação com o dinheiro" também entrevistou a outra ponta dos pagamentos: os comerciantes.

Entre eles, praticamente todos (99%) os estabelecimentos afirmaram que aceitam pagamentos em dinheiro. 76% também aceitam cartões de débito e 74% cartões de crédito. Destes, 52% afirmaram que o dinheiro segue sendo a modalidade mais utilizada, mas assim como do lado dos consumidores, esse índice caiu em relação à pesquisa de 2013 quando foi de 57%.

O interessante nessa questão, porém, diz respeito ao crescimento do uso de cartão de débito (de 4% em 2013 para 15% em 2018) e a pequena queda no uso do cartão de crédito (de 35% para 31%) que pode significar um uso mais consciente dessa modalidade de pagamento que oferece juros muito altos caso não seja paga na data do fechamento da fatura.
Já em relação às moedas, 39% disseram que o estabelecimento sempre ou quase sempre fica sem moedas suficientes para dar de troco, isso considerando que em 66% das vezes os clientes sempre ou quase sempre pedem o troco mesmo de pequenas quantias (inferiores a R$ 2, quando não há mais cédulas à disposição no Brasil).

Outros 39%, porém, afirmaram que os próprios consumidores sempre ou quase sempre ajudam a facilitar o troco. Mas 53% não esperam por isso e mantém moedas na tesouraria sempre ou quase sempre para facilitar o troco e 70% também mantém moedas no caixa de um dia para o outro para conseguir retornar o valor devido aos consumidores no ato do pagamento.

Dada as taxas pagas pelos comerciantes para máquininhas de cartão de crédito e débito e o prazo que muitas vezes é extenso para receber esses valores, muitos comerciantes estão estimulando as compras em dinheiro oferecendo descontos. Essa é, inclusive, uma das formas mais recomendadas por especialistas para conseguir barganhar na hora de fazer uma compra.

Por outro lado, taxistas e motoristas de aplicativo têm sofrido cada vez mais com a dificuldade de dar troco e com o risco a sua própria segurança já que esses profissionais são muito visados por geralmente carregarem o valor das corridas de um dia inteiro consigo mesmo.

Salário em dinheiro
Por falar nisso, o chefe adjunto do departamento do meio circulante do BC, Fábio Bollmann, também fez esse alerta. Ele chamou atenção para o fato de que a pesquisa apontou um índice muito alto de brasileiros que ainda recebem o salário e outras formas de renda em dinheiro: 29%. Um percentual bastante alto considerando o risco que manusear grandes quantias em dinheiro oferece e a disponibilidade de outras formas de pagamento e transferência de dinheiro disponíveis atualmente.
Na pesquisa anterior, porém, o índice de pessoas que afirmaram receber o salário ou pagamento em dinheiro era ainda maior: 51%. Mas 29% já afirmaram receber por depósito.
Na pesqusa atual, no entanto, a maior parte da população já afirmou receber o salário em conta corrente, poupança ou conta salário (48%). Mas há ainda uma parcela de 0,4% que afirmou ter como forma de pagamento o cheque e 22% que afirmaram não ter nenhuma fonte de renda fixa, um índice que corrobora com outros indicadores que dão conta do alto número de desempregados/desocupados no Brasil.

Com informações do Banco Central

Fonte: Economia

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