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Labirinto tributário.

05 JUN 2018

Muito além da excessiva dependência do transporte rodoviário, a greve dos caminhoneiros, que esvaziou postos de combustíveis e prateleiras de supermercados nas últimas semanas, expõe a necessidade urgente de uma reforma tributária no Brasil.

Ao arrancar, na base da pressão política, a aprovação da isenção da cobrança de PIS/Cofins sobre o diesel, as empresas de transportes de cargas escancaram o quão disfuncional é o sistema de tributos no país. O Estado toma para si cinco meses do trabalho de todos os cidadãos enquanto categorias e setores com alto poder de barganha no Congresso conseguem incluir na legislação uma série de exceções e regimes diferenciados. Um cipoal de regulamentações que acaba produzindo desperdícios, evasão fiscal e um tormento burocrático para quem procura investir no país. É fundamental que durante a campanha eleitoral as discussões em torno de uma reforma consistente avancem e que o próximo presidente empenhe todo o capital político logo no início do mandato e transforme o tema em prioridade, o que não ocorreu no passado. É o momento de os candidatos apresentarem propostas sólidas, que apontem perspectivas para aperfeiçoamento do atual sistema. As distorções do nosso modelo de tributação são tão grandes, que é possível fazer mudanças que elevem o potencial de crescimento da economia e ao mesmo tempo melhorem a distribuição de renda do país.

Primordial também é que tal reforma não concentre ainda mais recursos em Brasília apenas para tapar buracos e manter uma máquina gigante e ineficiente. Estados e municípios, aqueles que já têm as maiores demandas e obrigações constitucionais, que precisam atender diretamente a população com serviços públicos, não podem ser ainda mais prejudicados. Sem mencionar a irracional guerra fiscal entre os Estados, na busca de novos empreendimentos, contribuindo para o grave desequilíbrio federativo. Na ausência de uma profunda reforma tributária, entraves não serão removidos para que novas empresas sejam abertas, gerando emprego e renda para os 13,7 milhões de brasileiros que hoje não encontram um posto de trabalho.
Fonte:Clirbs

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