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Consumidor ainda não se preocupa com a proteção aos ciberataques.

22 MAI 2018

O número crescente de casos de violação da privacidade e da segurança de dados que circulam pela internet tem colocado estudiosos e empresas em estado de alerta. Os investimentos para proteção vêm crescendo, mas também aumentam as portas de entrada de possíveis ameaças. Não é de hoje que os debates sobre esses riscos ganharam maior visibilidade e reforçaram a urgência de iniciativas capazes de combater os perigos que rondam a rede. O desafio agora é deixar o discurso de lado e colocar em prática ações concretas.
Nos últimos anos, foram noticiados ciberataques a bancos, hospitais, aeroportos, centrais elétricas, além do vazamento de dados de redes sociais e varejistas, inclusive no Brasil. O tamanho dos estragos é grande. De acordo com o Norton Cyber Security Insights Report 2017, divulgado pela Norton by Symantec, o Brasil foi o segundo país que mais perdeu financeiramente com ataques virtuais, atrás apenas da China. As perdas no ano passado chegaram a US$ 22 bilhões e atingiram por volta de 62 milhões de brasileiros, o equivalente à metade do número total (125,1 milhões) de usuários de internet no país.

Cada vez mais tem sido necessário investir em proteção. Segundo estudo do Gartner, empresa de pesquisa em tecnologia, os ataques com base em Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês) já atingiram cerca de 20% das organizações nos últimos três anos. Por isso, os investimentos em proteção têm aumentado. A previsão é de que o gasto mundial em segurança de IoT chegue a US$ 1,5 bilhão em 2018, aumento de 28% em relação à cifra de US$ 1,2 bilhão aplicada em 2017.


Ricardo Giorgi, instrutor oficial de treinamentos do (ISC)², instituto dedicado à educação e certificações profissionais em segurança da informação e cibersegurança, acredita que os ataques crescerão à medida em que avançar também o número de pessoas e equipamentos conectados. “As pessoas acham que estão protegidas só porque estão atrás do computador, mas não é assim”, diz Giorgi. “Criminosos com alto conhecimento tecnológico invadem os sistemas, cobram por informações ou fazem o uso financeiro dos dados que conseguirem”, explica.


O especialista acredita que enquanto a Internet das Coisas aumentar sua presença na casa das pessoas, maior será o risco de exposição a ciberataques. “A vulnerabilidade está em todo lugar, desde a smartv da sala até o carro ou a geladeira conectada à internet”, avalia Giorgi. Analista sênior de segurança da Kaspersky Lab, Fabio Assolini também aposta no aumento dos ataques à medida em que a IoT avançar. “Esse é o efeito colateral. Quanto mais dispositivos conectados, mais ataques vão ocorrer, pois aumentam as possibilidades. Isso só muda com o tempo, ou seja, quando os fabricantes passam a priorizar a segurança, e não apenas o design ou as funcionalidades dos seus produtos”, alerta. Por enquanto, isso está longe de acontecer.

O gerente de consultoria e pesquisa da IDC Brasil, Pietro Delai, faz uma analogia com os “tempos digitais”, vividos hoje, e o período analógico. “Da mesma forma que trancávamos a porta da frente e de trás da casa para nos protegermos, temos de pensar em fechar todas as entradas quando falamos de rede”, afirma Delai. “As pessoas estão mais conectadas, por exemplo, com o avanço da Internet das Coisas, e ficarão cada vez mais expostas”, diz.


Segundo ele, pelo menos 4% da população brasileira tem acesso IoT em casa, e esse percentual é crescente. Se por um lado os usuários de rede estarão cada vez mais vulneráveis a ataques, por outro, acredita Delai, o acesso a IoT e a novas tecnologias será cada vez mais barato. Com o aumento do número de usuários, os preços tendem a cair, assim como ocorre com outros produtos e serviços.

Como se protejer
Use um bom antivírus tanto no smartphone quanto no computador e não confie na proteção que um programa gratuito pode oferecer. Ele pode apenas dar a falsa sensação de segurança;


Na internet ninguém dá nada a ninguém. Portanto, fuja de e-mails que oferecem alguma vantagem;


Com a internet das coisas, as portas abertas para possíveis ataques aumentam. Por isso, é importante ficar atento à proteção de outros dispositivos conectados, desde a smartv até o carro;


Troque a senha padrão de todos os equipamentos (login ADMIN e senha 123456) para um acesso que só você conheça, inclusive no Wi-Fi;


Monitore comportamentos diferentes em seus equipamentos. Por exemplo, se o Wi-Fi está lento pode ser que alguém esteja compartilhando sua banda larga;


Na hora de escolher equipamentos conectáveis, opte por aqueles que são fáceis de ser acessados quando você for trocar senhas ou mudar alguma configuração. Do contrário, eles vão continuar vulneráveis;


Mantenha seus programas atualizados, tanto o sistema operacional quanto os softwares. As correções lançadas ajudam a protegê-lo;


Aprenda sobre os golpes e ameaças circulando na internet. Informação ajuda na prevenção.


Fonte:Economia

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