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Setor de serviços ainda está longe da recuperação.

16 ABR 2018

A Economia não é uma ciência. É mais próxima de uma religião, com várias igrejas cujas credibilidades dependem, essencialmente, de sua base empírica e dos resultados materiais da aplicação dos princípios dela derivados, revelados pela história. A observação dos últimos 300 anos revela que pouco mais de 20 países tiveram sucesso em ver florescer sociedades que, a despeito de tensões internas, conseguiram construir uma civilização que persegue três objetivos não inteiramente compatíveis: a plena liberdade individual, a mitigação das desigualdades de toda natureza e uma organização (os “mercados”) que dá conta – razoavelmente bem – da coordenação entre os desejos de consumo de milhões de consumidores (a demanda) e a produção de milhões de produtores (a oferta).

O homem “descobriu” muito cedo as vantagens de combinar divisão do trabalho (cada um fazendo aquilo para o qual tem mais habilidade; por exemplo, sapatos) com as “feiras” (onde o produtor de galinhas poderia trocá-las livremente pelo par de sapatos). O “mercado” surgiu espontaneamente das relações sociais. Tem vantagens, mas gera problemas. O seu bom funcionamento exige algum Estado capaz de garantir a “propriedade privada” e o cumprimento das “promessas” estabelecidas pelas relações de troca (preços) entre os diversos produtores.


Adeus ao crescimento

Um resultado importante dessa organização é que ela proporciona (através dos preços estabelecidos) uma coordenação entre a “demanda” e a “oferta” que admite a plena liberdade de iniciativa: cada um escolhe o que quer “consumir” e o que pode “produzir”.O problema é que a propriedade privada quando combinada com a possibilidade de acumular riqueza pela via monetária trabalha contra a “igualdade”, dividindo os homens entre os que têm a capacidade de fazê-lo e acumulam “capital” e os outros que lhes vendem sua força de trabalho.

O que nos ensina a história dos países mais bem-sucedidos social e politicamente? Que essa separação entre o “capital” e o “trabalho” produz (juntamente com a desigualdade) um aumento exponencial da produtividade do trabalho que permite combinar, razoavelmente, os três objetivos da sociedade civilizada a que nos referimos acima.

O desenvolvimento econômico, isto é, o aumento da produtividade do trabalho, é um problema termodinâmico que independe das crenças dos economistas. É comum a todas as “igrejas”. Desde que a evolução deu consciência ao homem, ele começou a separar-se da natureza da qual ele retirava sua sobrevivência material diretamente com o seu trabalho. Sua inteligência (sua inventividade) foi descobrindo caminhos para ampliar sua capacidade de explorá-la. O gráfico abaixo simplifica esse processo. O trabalho vivo (L) era aplicado originalmente à natureza para sua subsistência. Sua inventividade produziu instrumentos auxiliares para facilitar tarefas como construir uma escada, por exemplo, para colher os frutos mais altos. O que é a escada, senão trabalho vivo congelado num “bem de produção” que aumenta a produtividade do trabalho vivo? Ela é o “capital” (K), que aumenta a produtividade do trabalho vivo. Cuidadosa pesquisa empírica mostra que a produtividade do trabalho depende da relação do “capital” associado a cada trabalhador (K/L). Ele gera o PIB (Y) por unidade de trabalho (Y/L), que é o indicador do desenvolvimento econômico. Aqui termina a economia. Como se distribuirá o produzido entre o “capital” e o “trabalho” é uma decisão de quem detém o poder político. Como toda decisão política, ela tem uma margem de arbitrariedade que gera consequências. Se não houver uma harmonia entre o “consumo” presente e a reposição do “capital” (o “investimento”) o sistema colapsa!

Confirmando a tradição, cada candidato à Presidência da República em 2018 se aproxima de uma das “igrejas”, cujas soluções para a volta ao crescimento são diferentes, mas todos terão de escolher se vão respeitar as restrições acima ou nos dar mais uma década perdida.

Fonte: Carta Capital .

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