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Gestão organizacional em empresa familiar: uma revisão de literatura.

23 MAR 2018

É indiscutível que as empresas familiares fazem parte das sociedades capitalistas, aliadas ao capitalismo, essas famílias desenvolveram métodos particulares que foram aprimorados, criando uma variedade de produtos tipicamente tradicionais. Este tipo de empreendimento foi denominado por empresa familiar e em alguns casos (como empresas do setor têxtil, cerâmico e calçadista) perduram até os dias atuais, mantendo técnicas familiares e sucessores na gestão das mesmas. Essa modalidade de empresa se originou desde a antiguidade, como na época da burguesia que os funcionários de seus negócios tinham seu núcleo na própria família no qual possuía a estrutura de uma verdadeira empresa, sendo assim repassada como herança de pai para filho. No Brasil e no mundo é bastante considerável o número de empresas com essa natureza familiar, pois, grandes corporações atualmente em atividade tiveram seu inicio dentro do contexto familiar possuindo hoje posição de destaque no mercado. É lógico que para alcançar esse patamar é muito importante que haja um equilíbrio entre a gestão e uma dinâmica familiar harmoniosa. Com base nessa realidade o presente artigo objetiva analisar a gestão organizacional em empresa familiar, sendo para isso necessário compreender o conceito de empresa familiar, caracterizar a gestão organizacional adotada pelas empresas familiares e por fim analisar a relação familiar na gestão da empresa com base na literatura diversificada sobre essa temática.

A pesquisa foi realizada por meio de uma revisão bibliográfica com abordagem qualitativa dos dados. A metodologia utilizada para elaboração deste artigo foi à pesquisa bibliográfica por meio de livros, periódicos científicos e bases de dados, como forma de recolher documentos e conhecimentos variados em várias fontes de pesquisa sobre o tema estudado. Para um melhor entendimento da pesquisa que será aqui adotada, de acordo com Gil (2008), os exemplos mais característicos desse tipo de pesquisa são sobre investigações e ideologias ou aquelas que se propõem à análise das diversas posições acerca de um problema. O Primeiro capítulo define o conceito de empresa familiar quanto ao seu objetivo e forma que distingue das demais empresas, pois para uma adequada conceituação de empresa familiar, é necessário levar em conta, além de a família exercer a gestão com base na propriedade, também é importante e necessário que haja herdeiros para sua continuação. O Segundo capítulo se encarrega de caracterizar a gestão organizacional adotada por esse tipo de empresa, se percebeu que não é porque a empresa é familiar, que seus objetivos se diferenciem de qualquer outra empresa no qual objetiva alcançar resultados. Isso se dá porque assim como as empresas tradicionais, as familiares também são comandadas geralmente por empreendedores que vislumbram sobre tudo o sucesso do negócio da família.

Na sequencia o terceiro capítulo analisa a relação familiar propriamente dita no âmbito da gestão da empresa no qual se percebeu que a relação harmoniosa entre pai e filho, marido e esposa, e uma sucessão bem planejada é fundamental para a preservação da empresa como também para sua permanência no mercado cada vez mais competitivo. Por fim conclui-se que a vantagem decorrente da união de membros familiares na formação e desenvolvimento do negócio se sobrepõe das desvantagens, pois apesar de haver conflitos entre os membros da família na gestão da empresa, assim como a maioria das famílias sobrevive a conflitos, as empresas que se solidificam têm vocação que permeia toda a estrutura organizacional que também sobreviverem a determinados riscos.

1. Empresa familiar

Para melhor compreender o objetivo geral desse artigo se faz necessário conceituar a empresa familiar e descrever suas características pela ótica de diversos autores. Incialmente admite-se como conceito-base de uma empresa familiar a o conceito de Moreira Júnior (1999) quando define que empresa familiar é a organização em que tanto a gestão administrativa quanto a propriedade são controladas, na sua maior parte, por uma ou mais famílias, e dois ou mais membros da família participam da força de trabalho, principalmente os integrantes da diretoria. É importante nesse contexto ser considerado a relação propriedade e gestão, uma vez que de acordo com o entendimento do autor supracitado, a propriedade não é suficiente para definir uma empresa familiar, pois é necessária, também, a existência de uma estrutura gerencial na qual a maioria dos cargos-chefe é preenchida por membros da família proprietária. Nesse mesmo entendimento, Gonçalves (2000) admite que para uma adequada conceituação de empresa familiar, é necessário levar em conta, além de a família exercer a gestão com base na propriedade, que há estreita ligação com o estilo com que a mesma é administrada. Forte valorização da confiança e expectativa de alta fidelidade, “tempo de casa” do funcionário e nível de dedicação à empresa, são valores que chegam a se sobrepor à eficiência e eficácia profissional.

Já para Werner (2004, p.20) empresa familiar é definida como: “Aquela que nasceu de uma só pessoa [...] Ela a fundou, desenvolveu-a e, com o tempo, compôs a empresa com membros da família afim de que, na sua ausência, a família assumisse o comando” segundo o mesmo autor é aquela “que tem o controle acionário nas mãos de uma família, a qual, em função desse poder, mantêm o controle da gestão ou de sua direção estratégica”.

Percebe-se assim que a empresa familiar surge de um ato empreendedor de um dos membros da família no qual é composta pelos demais familiares com a finalidade do poder de direção permanecer sempre entre eles. A fim de contribuir com esse entendimento Lima (2009, p. 83) afirma que:

“A empresa familiar se caracteriza pela existência de um fundador-empreendedor que ao reconhecer uma oportunidade de mercado cria, desenvolve e consolida determinada atividade mercantil. Ao longo de sua trajetória adquire conhecimentos do mercado, dos fluxos do comércio, dos fornecedores e dos clientes. Acumula experiências práticas sobre produção, negociação e comercialização, estabelecendo normas para a condução das operações da empresa.”

Diferentemente do que pensa a maioria dos autores que estudam as empresas familiares, Lodi (1998, p. 6, Apud LIMA 2009, p. 84) entende que “a empresa familiar é aquela em que a consideração da sucessão da diretoria está ligada ao fator hereditário e onde os valores institucionais da firma identificam-se com um sobrenome de família ou com a figura de um fundador.” Defende, portanto que a empresa familiar nasce na segunda geração de dirigentes, quando o fundador possibilita a sucessão da gestão, transferindo aos herdeiros diretos. A fim de ilustrar mais ainda o conceito de empresa familiar em consonância com o entendimento anterior (LIMA, 2009, p. 84) assevera que:

“A empresa familiar pressupõe a sucessão do poder decisório de maneira hereditária a partir de uma ou mais famílias, ou seja, a transferência da gestão empresarial do fundador para seus herdeiros sucessores. A participação da família deve ser considerada através de planejamento direto em todos os âmbitos da empresa, contribuindo e interferindo no processo decisório e na definição patrimonial e estratégica. Nesse sentido, não só ao fundador, mas à família cumpre a função proprietária e gerencial”.

Desta forma, uma empresa de fundador sem herdeiros, bem como qualquer organização empresarial em que famílias participam apenas como investidoras, não pode ser considerada familiar, uma vez que no decorrer do levantamento exposto nesse capítulo nos revela que para se configurar empresa familiar, esta além de ter uma relação familiar de propriedade e gestão também é importante e necessário que haja herdeiros para sua continuação.

2. gestão organizacional na empresa familiar

A revolução Industrial foi o grande marco histórico no inicio do século XIX, que substituiu a força humana pela energia da máquina, e esta revolução tornou o trabalho artesanal quase que substituível pelo trabalho industrial, ocorrendo assim uma mudança significativa na forma de organização do trabalho: a divisão do trabalho, a preocupação com a eficiência e as habilidades gerenciais. (WOITCHUNAS; SILVA, 2008). Essa maneira de produção em massa bem como a industrialização levou ao desenvolvimento de grandes empresas e organizações fazendo com que se exigissem práticas de administração formalizadas. Gestão organizacional pode ser entendida como a administração de uma empresa no qual objetiva alcançar metas positivas e rentáveis para a prosperação do negócio. Tem a finalidade de conduzir pessoas com o fito de criar um ambiente colaborativo para poder alcançar os melhores resultados possíveis de uma organização.

“A organização é um sistema concebido, estruturado e acionado para atingir determinados objetivos. Utiliza insumos produtivos (pessoas, recursos financeiros, recursos materiais e de informação) para, através do processo de transformação pertinente à natureza de suas atividades, produzir resultados previsíveis (bens e serviços)”. (TAKESHY ; FARIA , 2004, p. 101).

Assim, Muller, (2010) define gestão organizacional como uma filosofia administrativa que visa planejar, organizar, implementar, avaliar e controlar a performance conjuntural de uma organização empresarial, buscando a eficiência dos processos, a eficácia das ações, o aumento da produtividade e o desempenho qualitativo dos serviços e das atividades afins, e por fim, mas, não por último, a Qualidade de Vida no ambiente empresarial. A Gestão investe na melhoria do clima organizacional, no aprimoramento dos recursos técnico-operacionais, na maximização dos resultados, na profissionalização e qualificação da mão de obra e na real rentabilidade econômica do negócio.

‘A administração é uma atividade inseparável de qualquer situação que envolve pessoas, recursos e a intenção de desenvolver e realizar objetivos, ou seja, o processo de tomar decisões sobre os objetivos e a utilização de recursos são entendidos por administração. Desta forma, a administração constitui processo que tem a finalidade de garantir a eficiência1 e a eficácia2 de ações realizadas pelas organizações’. (LIMA, 2008, P. 101)

A estruturação organizacional da empresa familiar representa a otimizada ordenação e alocação dos vários recursos (humanos, financeiros, materiais, equipamentos, tecnológicos), visando alcançar objetivos, desafios e metas, bem como operacionalizar as estratégias estabelecidas no processo de planejamento anteriormente elaborado e implementado. (OLIVEIRA, 1999, APUD, Lima, 2008).

Em relação a gestão nas empresas familiares, é importante ressaltar que não é porque a empresa é familiar, seus objetivos se diferencie de qualquer outra empresa que queira alcançar resultados. Isso se dá porque assim como as empresas tradicionais, as familiares também são comandadas geralmente por empreendedores que vislumbram sobre tudo o sucesso do negócio da família.

Freitas e Krai (2010) explicam que:

“Os gestores de empresas familiares ganham destaque pelo espírito empreendedor e inovador, que os leva a diversificar os negócios da família sem perder a competitividade. A facilidade com que os empreendedores familiares colocam em prática os seus sonhos é mais uma de suas propriedades, por meio da qual tiram o máximo de proveito ao serem persistentes, visionários, inovadores e, claro, sonhadores. A cada nova conquista, a cada desafio vencido, mais e mais empreendedores familiares demonstram expertise em gestão empreendedora”. (FREITAS, KRAI, 2010, P. 391) Os elementos para a profissionalização da gestão da empresa familiar, segundo Grzybovski e Tedesco (2002) têm seus objetivos bem claros ao se referir a uma empresa familiar, poiso objetivo de uma empresa é definir, produzir e comercializar produtos e serviços, realizando suas atividades rotineiras seu sistema operacional e administrativo apropriado para a sustentação, profissionalização e sua gestão. Nessa perspectiva Lodi (1993) afirma que a empresa familiar precisa definir com objetividade como os parentes estão contribuindo para o sucesso do empreendimento, o que implica num programa sistemático de avaliação dos diretores e gerentes. É imprescindível que a organização saiba claramente quais são suas forças e suas fraquezas.

Lodi (1993) nos coloca que na empresa familiar, profissionalização implica em três pontos básicos:

a) O sucesso em integrar profissionais familiares na direção e na gerência da empresa;

b) O sucesso em adotar práticas administrativas mais racionais;

c) O sucesso em recorrer à consultoria e á assessoria externa para incorporar sistemas.

Em relação à gestão de pessoas nas empresas familiares, Macedo (2002), afirma que no caso das empresas familiares a gestão de pessoas ajuda a direcionar estrategicamente a empresa transformando o sistema de gestão da empresa. O gerenciamento pioneiro transforma-se gradativamente em uma administração profissional que conta com participantes pertencentes à família. Mas, no entanto, estabelece a condição de terem a qualificação necessária para a atuação em um cargo da empresa.

2.1 vantagens e desvantagens da empresa familiar

Lodi (1998, p.4 Apud, LIMA, 2008) defende que a organização familiar, pela sua constituição e natureza, apresenta certas características que favorecem e outras que são prejudiciais ao desenvolvimento empresarial. Algumas características negativas desse tipo de organização:

• Conflitos de interesses entre família e empresa. As relações conflituosas podem resultar em descapitalização da empresa, falta de disciplina da gestão empresarial, utilização ineficiente dos administradores não familiares e excesso de personalização dos problemas administrativos.

• Uso indevido dos recursos da empresa por membros da família. Essa atitude é fruto da falta de normas, procedimentos e racionalização da administração, fator que pode levar a empresa à situação de instabilidade e dificuldades financeiras.

• Falta de sistema de planejamento e de procedimentos formais de gestão. O microgerenciamento ou pequena visão empresarial é comum entre as empresas familiares. Essa realidade possibilita a informalidade, levando à ausência de planejamento formal, trazendo sérios problemas no processo produtivo e financeiro da empresa.

• Resistência à modernização do processo de gestão, de produção, comercialização e distribuição das mercadorias e serviços. A dificuldade em aceitar e acompanhar as mudanças em processo reflete diretamente na competitividade do mercado.

• Ausência de política de recursos humanos. O não estabelecimento de política de seleção, de treinamento e de desenvolvimento das pessoas abre possibilidade para promoções e contratações a partir do grau de parentesco, sem critérios formais e profissionais.

Em relação as vantagens Lodi (1998, APUD, LIMA, 2008) diz que por outro lado, as empresas familiares, muitas vezes, conseguem garantir o sucesso, tendo em vista algumas características inerentes a esse tipo de organização:

• Lealdade dos funcionários. Na organização familiar os gestores estão presentes de forma permanente na empresa e os empregados se identificam melhor com este tipo de estrutura, conseguindo uma aproximação positiva. Geralmente, a relação entre funcionários e dirigentes, escolhidos ou eleitos para cumprir um determinado período de tempo, é sempre mais distante.

• Nome da família. A boa reputação do nome da família no ambiente interno e externo, através da confiabilidade, favorece o processo de negociação e de conquista de mercado.

• Continuidade da gestão. A sucessão de familiares competentes na direção dos negócios contribui para garantir o respeito e a confiança na empresa.

• União existente entre acionistas e dirigentes. O bom relacionamento e a proximidade entre o Conselho de Administração, a Diretoria Executiva e a Assembleia dos Acionistas facilita a comunicação e garante o sucesso empresarial.

• Rapidez no sistema de decisão. O grupo familiar pode tomar decisões abrangentes e globais sem ter que dar respostas a pessoas e estruturas alheias sobre problemas típicos de uma organização empresarial. O nível hierárquico é mais simples, pois possui apenas três ou quatro níveis acima do operacional, o que agiliza as decisões e ações refletindo no melhor atendimento dos clientes.

• Cultura organizacional. As empresas familiares reconhecem que sua sobrevivência depende de valores expressos na cultura organizacional e, com base nela, define sua missão. Tradicionalmente, essas empresas cultivam valores como harmonia, união, senso de equipe, ética e moral.

• Sentido de missão. Ter visão única e conjunta sobre a missão da empresa na sociedade constitui fator positivo da administração da emoção em favor do negócio. Assim como a maioria das famílias sobrevive a conflitos, as empresas que se solidificam têm vocação que permeia toda a estrutura.

• Amplo conhecimento. O empreendedor, na empresa familiar, domina todo o processo de produção, da gestão da força de trabalho, da comercialização dos produtos e também dos aspectos externos à organização que interferem na sobrevivência da mesma. Conhece o negócio e sabe avaliá-lo sem depender de tecnologia e de diversos relatórios. Esse conhecimento se torna importante vantagem para a empresa familiar e seus empreendedores

Como se percebe a empresa familiar no contexto de sua gestão é um complexo organizacional, digno de características peculiares que proporcionam seu desenvolvimento. A vantagem decorrente da união de membros familiares na formação e desenvolvimento do negócio se sobrepõe das desvantagens, pois apesar de haver conflitos entre os membros da família na gestão da empresa, assim como a maioria das famílias sobrevive a conflitos, as empresas que se solidificam têm vocação que permeia toda a estrutura organizacional que também sobreviverem a determinados riscos.

3 relações familiares na empresa

Como se observa desde o inicio deste trabalho, a principal característica da empresa familiar realmente é a propriedade bem como a gestão do poder exercida por eles. Na empresa, a relação pai-filho é fundamental para a sua preservação. As relações entre pais e filhos já são complexas hoje em dia no contexto normal. Os filhos de hoje são mais bem informados, possuem uma maior gama de relações com outros adultos e, via de regra, são mais maduros. Os pais de hoje provêm de uma educação rígida, de um mundo em rápida mutação e de uma sociedade ocidental que não respeita os idosos como as culturas orientais (Kanitz, 2003).

É muito comum ver pais sendo patrões de seus filhos no qual requer sobretudo, a separação do profissional com o pessoal para que as relações tanto profissional como também pessoal sejam harmoniosas.

É por isso que muitos filhos consideram a empresa familiar um negócio arriscado e que deve ser evitado, muito embora possa ter atingido, aquela altura, uma sólida posição econômico-financeira. È curioso observar a escolha de carreiras profissionais de filhos de donos de empresas familiares. Muito embora pai e filho possam estar incertos em relação à época em que a sucessão na empresa se processará, raramente a escolha da profissão é feita numa área muito diversa daquela em que atua a empresa familiar, como Medicina, Veterinária, Biologia, etc (Kanitz, 2003).

Outro fator importante observado por Kanitz (2003) foi identificar que o maior problema de um filho numa empresa familiar é o seu esforço e habilidade para alcançar uma identidade própria. A maturação de uma identidade própria, por várias razões, é um processo bem mais difícil para o membro de uma empresa familiar do que para outros indivíduos, primeiramente, pela própria natureza e personalidade do pai empresário. Portanto é muito difícil para um filho empregado se encontrar com sua própria identidade nesse contexto apresentado, uma vez que a figura do pai é muito forte. Por outro lado, laços de família podem também ser importantes no estabelecimento da confiança necessária para se realizar negócios, pois o valor do relacionamento familiar não se restringe apenas ao papel desempenhado pela família nos negócios da firma e em suas relações públicas. Pode também ter uma função de relevo na organização interna da empresa. Para uma firma pequena, a administração familiar pode evitar mudanças perigosas na direção e garantir que as habilidades competitivas da companhia permaneçam sempre em alta. (Donnelley, 1976). É verdade em que a empresa familiar é constituída apenas por marido e esposa, nessas situações, Longenecker et al. (2007) diz que “a vantagem potencial da equipe formada por marido e mulher é a oportunidade de um casal compartilhar mais do que suas vidas. Para alguns casais, porém, os benefícios ficam eclipsados pelos problemas relacionados com a empresa.” Algumas uniões matrimoniais vão além da composição de uma família. Há com grande relevância empresas fundadas por casais, que unem suas competências e habilidades para a abertura e manutenção da empresa, que, por terem como parte gerencial cônjuge, são consideradas familiares.

Existe caso em que empresas não dão certo, justamente devido conflitos ocasionados pela relação familiar e os casais e filhos não conseguirem separar questões familiares e questões empresariais, uma vez que, não é saudável discutir problemas empresarias na mesma de jantar ou na cama, bem como, discutir a relação conjugal em frente a um ou dois funcionários que pretendem desempenhar suas atividades rotineiras na empresa. Outro fator importante que deverá ser analisado nessa seara familiar é a questão da sucessão, uma vez que como definido no conceito de empresa familiar no primeiro capítulo, a sucessão empresarial de pai para filho é um dos fatores caracterizadores das empresas familiares.

Diante disso, Segundo Bueno, Fernández e Sánchez (2007):

“Muitas pessoas acreditam, equivocadamente, que a sucessão é um acontecimento que ocorre quando o dono se prepara para se desligar da empresa. Na verdade, a sucessão é um processo que começa quando os sucessores em potencial ainda são crianças. É durante esse período que os pais ensinam aos filhos atitudes importantes sobre as pessoas, o trabalho, o dinheiro, a concorrência, a qualidade, a confiança, a ética no trabalho e o equilíbrio entre a vida e os compromissos. Em geral, muitas dessas atitudes e qualidades são as que serão necessárias para exercer o futuro papel a frente dos propósitos da empresa familiar. Além disso, esses pais vão preparando o cenário para uma transição tranquila, ajudando os filhos a se tornarem indivíduos capazes e futuros líderes, elaborando planos e documentos que permitem à empresa familiar superar fases de turbulências e crise” (BUENO, FERNÁNDEZ ; SÁNCHEZ, 2007, p.199).

Nesse sentido, os pais vão planejando de forma continua e equilibrada a sucessão com o objetivo de que a empresa possa conseguir manter suas características familiares por mais gerações, acompanhando o ritmo de mercado e se tornando consolidada cada vez mais como um grande empreendimento.

Conclusão

Nesse trabalho procurou-se analisar a gestão organizacional nas empresas familiares sobre a ótica do conceito propriamente dito do que é empresa familiar, gestão organizacional bem como se dá as relações entre familiares no ambiente empresarial. Para se configurar empresa familiar, além da empresa ser fundamentada dentro das relações familiares de propriedade e de gestão também é importante e necessário que haja herdeiros para sua continuação. As práticas de gestão adotadas pela empresa familiares precisam definir com objetividade como os parentes estão contribuindo para o sucesso do empreendimento, o que implica num programa sistemático de avaliação dos diretores e gerentes. É imprescindível que a organização saiba claramente quais são suas forças e suas fraquezas.

Ainda no que tange a gestão organizacional, foram apresentados algumas vantagens e desvantagens no qual se observou que a empresa familiar no contexto de sua gestão é um complexo organizacional, digno de características peculiares que proporcionam seu desenvolvimento. A vantagem decorrente da união de membros familiares na formação e desenvolvimento do negócio se sobrepõe das desvantagens, pois apesar de haver conflitos entre os membros da família na gestão da empresa, assim como a maioria das famílias sobrevive a conflitos, as empresas que se solidificam têm vocação que permeia toda a estrutura organizacional que também sobreviverem a determinados riscos.

Constatou-se que para as empresas familiares lograr êxito é necessário que os casais e filhos envolvidos saibam separar questões familiares das empresariais, uma vez que não é saudável discutir problemas empresarias na mesa de jantar ou na cama, bem como, discutir a relação conjugal em frente a um ou dois funcionários que pretendem desempenhar suas atividades rotineiras na empresa. Também foi abordada dentro dessa seara de ralação familiar a seara familiar a questão da sucessão, uma vez que como definido no conceito de empresa familiar no primeiro capítulo, a sucessão empresarial de pai para filho é um dos fatores caracterizadores desse tipo de empresa. Evidenciou-se, portanto que os pais vão planejando de forma continua e equilibrada a sucessão com o objetivo de que a empresa possa conseguir manter suas características familiares por mais gerações, acompanhando o ritmo de mercado e se tornando consolidada cada vez mais como um grande empreendimento.

Fonte: Ambito Jurídico.

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