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Reformas são urgentes, dizem empresários.

16 MAR 2018

Apesar da defesa praticamente uníssona da agenda de reformas, investidores e empresários, que participaram nos últimos dois dias do Fórum Econômico Mundial em São Paulo, se mostraram pouco preocupados com a eleição de outubro, da qual depende, em grande parte, a continuidade das medidas estruturais. A leitura é de que as reformas, que são a principal demanda do empresariado, tomaram um caminho sem volta. Na visão de muitos deles, isso não deve mudar mesmo que o vencedor da sucessão presidencial esteja no extremo do espectro político, dada a urgência do País de conter a escalada da dívida pública, simplificar seu sistema tributário e melhorar as condições de competitividade das empresas para, dessa forma, evitar um novo ciclo recessivo, o que também não interessa à classe política.
Para o ex-presidente do Banco Central (BC) Arminio Fraga, os investidores estrangeiros estão concedendo o benefício da dúvida à economia brasileira. “Vejo os estrangeiros mais otimistas do que nós”, comenta o sócio da Gávea Investimentos. Mas essa confiança, ponderou, não vai persistir se o País fracassar na missão de corrigir seus desequilíbrios. “O Estado precisa entregar, porque arrecada muito e entrega relativamente pouco para a sociedade.” Apesar da defesa praticamente uníssona da agenda de reformas, investidores e empresários, que participaram nos últimos dois dias do Fórum Econômico Mundial em São Paulo, se mostraram pouco preocupados com a eleição de outubro, da qual depende, em grande parte, a continuidade das medidas estruturais. A leitura é de que as reformas, que são a principal demanda do empresariado, tomaram um caminho sem volta.
Para o ex-presidente do Banco Central (BC) Arminio Fraga, os investidores estrangeiros estão concedendo o benefício da dúvida à economia brasileira. Foto: Marcio Fernandes/Estadão
Na visão de muitos deles, isso não deve mudar mesmo que o vencedor da sucessão presidencial esteja no extremo do espectro político, dada a urgência do País de conter a escalada da dívida pública, simplificar seu sistema tributário e melhorar as condições de competitividade das empresas para, dessa forma, evitar um novo ciclo recessivo, o que também não interessa à classe política. Para o ex-presidente do Banco Central (BC) Arminio Fraga, os investidores estrangeiros estão concedendo o benefício da dúvida à economia brasileira. “Vejo os estrangeiros mais otimistas do que nós”, comenta o sócio da Gávea Investimentos. Mas essa confiança, ponderou, não vai persistir se o País fracassar na missão de corrigir seus desequilíbrios. “O Estado precisa entregar, porque arrecada muito e entrega relativamente pouco para a sociedade.” A confiança das companhias foi manifestada em mensagens de que os investimentos no País vão continuar. Entre maio e junho, pouco antes do início das campanhas eleitorais, a Nissan deve anunciar seu próximo plano de investimento no Brasil. “Independentemente do governo que virá, ele terá de fazer as reformas”, disse o presidente da montadora japonesa no Brasil, Marco Silva.

Na Siemens, um novo ciclo de investimentos, que prevê R$ 5 bilhões em cinco anos, foi anunciado nesta semana porque, conforme disse o presidente da multinacional no País, André Clark, não há outra saída que não seja a continuidade da agenda reformista. “A agenda de reformas se tornou tão urgente que o País não tem outra opção”, acrescentou Clark, repetindo visão do presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, para quem as reformas são “mandatórias”. Por outro lado, o presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, avaliou que os investidores vão se frustrar se o Brasil não conseguir implementar as reformas. “O Brasil pode perder investimentos se não olhar para suas questões essenciais, como garantir a estabilidade macroeconômica.” Uma pesquisa feita no fim do ano passado pela consultoria Deloitte com 750 empresas mostrou que a eleição de outubro é apenas a quarta preocupação dos empresários brasileiros. À frente dela estão, nessa ordem, o déficit do País em infraestrutura, a Previdência Social e a situação fiscal.

Fonte: Estadão

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